sábado, 25 de junho de 2016

Os Planetas. Por Helena Avelar e Luís Ribeiro

O que São os Planetas?

Os planetas são as peças chave em Astrologia. São eles que "encarnam" e canalizam as qualidades (energias) dos Signos. Cada Planeta representa um elemento da psique humana, uma parte da nossa consciência.

Os planetas dividem-se em vários tipos. O Sol e a Lua não sendo propriamente planetas são conhecidos como os luminares ou luzes. Eles representam as grandes polaridades humanas: Consciente - Inconsciente, Masculino - Feminino, etc. Seguem-se os planetas vitais (ou pessoais) que, juntamente com os luminares, representam os elementos básicos da personalidade. Depois temos os planetas sociais, que representam elementos de sociabilização e finalmente os transpessoais que simbolizam a nossa capacidade de transformação e transcendência.

Eis algumas características dos planetas:

Luminares (planetas vitais)

O Sol representa o Consciente, a capacidade de autopercepção e autoconsciência do ser humano. Ele representa num mapa astrológico o modo como tomamos consciência do mundo ao nosso redor e o nosso sentido de identidade.

A Lua simboliza a nossa capacidade de sentir, de nos sensibilizarmos ao meio ambiente. Representa a nossa vida emocional, o instinto e a autopreservação. Num mapa astrológico indica-nos o relacionamento com o feminino, com a imagem da mãe e com a procura de alimento (físico ou psíquico)

Planetas Vitais ou Pessoais

Mercúrio representa a nossa capacidade de comunicar e de "fazer pontes". Ele simboliza a fala, escrita e toda a capacidade de transmitir ou receber informação. Nele está expresso o modo como falamos, raciocinamos, etc.

Vênus simboliza a capacidade que temos de dar valor e qualificar. Representa a modo como valorizamos, a nossa vida afetiva, a troca e partilha de valores.
 
A Terra representa o nosso corpo, o lugar onde temos as nossas experiências. É o campo de testes onde vamos viver aquilo que vai ser transformado em consciência

Marte é o simbolo do desejo. Ele representa a nossa capacidade de ação, de movimento, de expressão física. No mapa astrológico indica a agressividade, a impulsividade e tudo o que diga respeito a atividade.

Planetas Sociais

Júpiter simboliza a capacidade de expansão. Indica o nosso sentido ético, filosófico, religioso e ideológico. Representa a capacidade que temos de percepcionar as leis e de nos relacionarmos socialmente através delas

Saturno é o último planeta visível da Terra. Ele representa o limite do pessoal, ou seja, os nossos próprios limites. Num mapa ele indica os medos, bloqueios e barreiras pessoais. No entanto, superados os obstáculos ele é também o símbolo da maturidade, da estrutura e solidez.

Planetas Transpessoais

Urano é o primeiro dos planetas transpessoais (ou modernos). Ele representa a capacidade de quebrar barreiras, ultrapassar os limites pessoais. A capacidade de individualização das massas e liberdade pessoal.

Netuno simboliza o contacto com o absoluto, representa todos os processos que nos unem emocionalmente ao colectivo. É tanto símbolo da união com o absoluto, da expectativa mística, como símbolo da ilusão, do engano e decepção.

Plutão representa a capacidade transformativa do ser. Simboliza a nossa capacidade de lidar com os aspectos mais sombrios da personalidade, tudo aquilo que está adormecido nas profundezas. Numa primeira fase indica também a nossa resistência à transformação e a nossa expressão de poder.

Num mapa astrológico ou horóscopo, cada planeta está colocado num dos signos o qual vai atribuir à qualidade psicológica representada pelo planeta uma qualidade e modo de expressão.

O Sistema Solar

Numa primeira abordagem, a Astrologia e a Astronomia parecem estudar os mesmos fenômenos: estrelas, planetas e outros corpos celestes
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Assim acontece, de facto. Existe, porém, uma diferença fundamental: a Astronomia estuda os aspectos físicos, objetivos e materiais dos corpos celestes, enquanto a Astrologia estuda o seu aspecto simbólico e mitológico.

É por isso que alguns termos comuns ganham sentidos diferentes. Uma dessas diferenças reside na própria palavra "planeta", que deriva do termo grego "errante" (ou em movimento). Em Astronomia, o termo planeta designa apenas os corpos celestes que orbitam em torno de uma estrela. Em Astrologia, por seu turno, o termo aplica-se a todos os corpos do Zodíaco.

Considera-se assim que num mapa astrológico estão representados dez corpos celestes genericamente designados "planetas". Oito deles são, de facto, planetas: Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno e Plutão orbitam em volta do Sol, tal como a própria Terra. Quanto aos outros, um deles - o Sol - é uma estrela, e o outro - a Lua - é um satélite ou planeta secundário. Estes dois corpos celestes recebem por vezes a designação de Luminares.

Alguns astrólogos utilizam também o planeta Terra como fator de interpretação. Outros incluem no mapa corpos celestes secundários, nomeadamente alguns asteroides e planetoides, dos quais Quíron é o mais conhecido. (Mais adiante, estudaremos alguns destes elementos.)

No simbolismo astrológico, os planetas representam diversas funções ou aspectos da natureza humana, de acordo com a sua posição relativa no Sistema Solar e de acordo com a mitologia que lhe está associada.

Diz-se que um planeta "está" num determinado signo. Por exemplo: Mercúrio está em Capricórnio. Significa isto que, visto a partir da Terra, o planeta Mercúrio (ao qual foi atribuída uma carga simbólica) está a passar por uma área específica da abóbada celeste, o signo de Capricórnio (que tem também um simbolismo associado).

Se compararmos um mapa astrológico a uma peça de teatro, podemos considerar os doze signos como outros tantos papéis ou formas de ser. Nesta comparação, os planetas seriam os atores que representam esses papéis.

Assim, o planeta Mercúrio está, simbolicamente, a representar o papel de Capricórnio. Mercúrio está associado, entre outras coisas, à comunicação e à aprendizagem. Capricórnio está associado à reserva, sobriedade e vontade de agir no colectivo. Assim, a capacidade de comunicar e de aprender está tingida pela reserva e pela sobriedade. A maneira de pensar é estruturada, prática e concreta com um senso de estratégia apurado.

Antes, porém, de passarmos à interpretação da posição dos planetas nos signos, vamos começar por estudar o Sistema Solar no seu todo e, seguidamente, os planetas um a um.

O Sistema Solar como modelo do ser Humano

O princípio "o que está em cima é como o está em baixo..." recorda-nos que o Homem é, do ponto de vista simbólico, um reflexo do próprio Sistema Solar.

Podemos, assim, encarar o Sistema Solar como um ser vivo gigantesco, cujos "órgãos" ou funções estão representados pelos planetas.

No centro do Sistema Solar encontramos o Sol. Tal como a consciência humana se expressa através de diferentes formas, também a energia solar se diferencia através dos planetas. A posição relativa de cada planeta define a função que simboliza.

Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol. Liga a consciência central (Sol) ao exterior (o resto do Sistema). Define a forma como apreendemos o Universo e, por consequência, a forma como comunicamos.

A seguir a Mercúrio encontramos Vênus. Representa a nossa capacidade de qualificar (dar valor) a algo exterior a nós. É, por isso, frequentemente associado aos relacionamentos amorosos (só podemos gostar daquilo que valorizamos).

É na Terra que são vividas todas as experiências perceptivas e valorativas da Humanidade. É nela que as funções representadas pelos planetas se expressam. Representa o campo de experiência, o campo da vivência concreta.

Na órbita da Terra temos a Lua. Simboliza a receptividade, a sensibilidade ao exterior. Funciona também como um "amortecedor" das experiências físicas, indica os mecanismos de defesa, hábitos, acomodações e instintos. Representa os condicionamentos, a ilusão da forma. A experiência concreta (Terra) está protegida pela Lua, mas é por ela limitada e condicionada.

Seguidamente encontramos Marte, o primeiro planeta exterior. Simboliza todos os movimentos para "fora", a ação, a atividade exterior, a agressividade.

Passamos depois para o domínio de Júpiter. Relaciona a esfera pessoal com a esfera social, faz a ponte entre o indivíduo, como ser separado, e os outros seres humanos. Simboliza expansão, o alargar das fronteiras pessoais.

Complementando Júpiter temos Saturno. Simboliza a estrutura, a contenção. Marca o limite da experiência pessoal e social. É o construtor das formas. Define e dá existência material a todas as coisas. É o que restringe o Homem, o fecha em estruturas rígidas, o aprisiona e limita aos factores que já consciencializou.

Júpiter e Saturno são os planetas sociais.

Urano, Netuno e Plutão são planetas invisíveis a olho nu. Levam-nos para além dos limites da vivência humana "normal", para lá da personalidade. São os Planetas Transpessoais, que vêm "desafiar" a personalidade.

Urano é um apelo mental e ideológico. Representa a inovação, o inesperado, o original, o novo, o excêntrico, a individualização e a globalização.

Netuno representa um apelo emocional. É um anseio de absoluto e de transcendência. Simboliza a empatia, a dissolução do ego, o Amor Universal.

Plutão, último planeta conhecido, representa um apelo físico, "visceral", de transformação. Vem destruir ("matar") os padrões não funcionais do ego e fazer emergir ("renascer") tudo o que está oculto no inconsciente.


O Sol

 No horóscopo natal, o Sol é o símbolo da autoconsciência. É o principal ponto de síntese e o foco central que alimenta os restantes factores astrológicos. Representa o "self", o ego, a consciência central e a capacidade de autoconhecimento.

Para além da consciência, o Sol representa também a vitalidade. É a fonte de vida. Simboliza o princípio vital que anima todas as formas - o Espírito. Na mitologia, este astro corresponde quase sempre a uma divindade criadora, ou mesmo ao próprio deus principal.

O Sol é o arquétipo masculino. Num mapa astrológico está associado à vontade e vitalidade características da polaridade yang.

Tanto para homens como para mulheres, pode corresponder àquilo que tomamos como modelos de comportamento masculino. Esses modelos foram-nos transmitidos nos primeiros anos de vida pelo pai e, em certa medida, por outros homens que representem autoridade e poder. Algumas mulheres podem ainda projetar esta imagem no próprio parceiro, enquanto outras a interiorizam e integram, vivenciando-a na sua própria estrutura de personalidade.

Em Alquimia, representa o ouro, o mais nobre dos metais, produto final do processo alquímico. Ao transformar os outros metais em ouro, transformamos, por analogia, as experiências da personalidade em consciência (o outro aspecto simbolizado pelo Sol).

Como já referimos anteriormente, o movimento do Sol através do Zodíaco é fácil de entender - demora sensivelmente um mês em cada signo (com variações de um dia, nos anos bissextos) e leva um ano para dar a volta completa. O signo onde o Sol se encontra será, por isso, de grande importância para o horóscopo natal. No entanto, importa frisar que esta importância é relativa e que os restantes factores do mapa poderão acentuar ou atenuar a "mensagem" do signo do Sol.

Antes de "interpretar"...

Esta abordagem, contudo, não é suficiente para "descrever a personalidade" de quem quer que seja. Para tal, será necessário tomar em consideração outros aspectos igualmente importantes para além do signo. Há que analisar, entre outras coisas, a Casa onde o Sol se encontra e os aspectos que este forma com outros planetas e ângulos do mapa natal. Além disso, qualquer destas considerações terá um peso relativo no contexto geral do mapa. Nenhuma delas por si só é suficiente para uma interpretação válida.

Aliás, a "descrição da personalidade" é apenas um dos aspectos da interpretação astrológica e, de resto, um dos menos importantes.

Outra questão a ter em conta é o carácter dinâmico dos próprios signos. Ao longo da vida, temos a possibilidade de viver e reviver o nosso signo (solar ou outro) de formas cada vez mais completas, apuradas e conscientes. Compreende-se, assim, que não faz grande sentido limitarmo-nos a associar uma série de "características de personalidade" a cada signo, passando a considerar esta lista de adjetivos como algo de estático, definitivo e "predestinado". Tal atitude viria negar um dos mais elevados aspectos da condição humana: a capacidade de evoluir.


A Lua

No simbolismo astrológico, a Lua é a contraparte do Sol.

Tal como o Sol ilumina o dia, a Lua ilumina a noite. Juntos, formam uma classe especial de corpos celestes: os Luminares.

O Sol é ativo e irradiante, a Lua é receptiva e refletora. Ao contrário do Sol a Lua não é sempre igual: a sua forma e luminosidade variam ao longo de um ciclo de 28 dias. A Lua simboliza, assim, tudo o que é cíclico, os ritmos naturais e biológicos.

Simboliza a imagem do Feminino e, em particular, a imagem de mãe, que nos gerou ao longo de dez ciclos lunares (9 meses). Desta ideia de geração surgem os conceitos de nutrição e forma - a nível físico, energético ou emocional.

A Lua representa também toda a "herança" familiar de condicionamentos biológicos que recebemos através da mãe. Dá-nos também indicações sobre a experiência emocional da infância, o "ambiente emocional" da família. As "mensagens" desses primeiros tempos determinam os condicionamentos emocionais, que nos ficam gravados no inconsciente.

Assim, a Lua simboliza também o Inconsciente, as respostas instintivas, as necessidades e carências, os hábitos pessoais e a capacidade de adaptação. Esta capacidade adaptativa protege-nos do desconhecido mas, ao mesmo tempo, limita-nos e restringe-nos a consciência.
Existe, um processo de aprendizagem associado à Lua: começamos ser inconscientes, defensivos e instintivos e, aos poucos, percebemos as inseguranças e começamos a refazer o padrão de comportamento. Assim, a Lua dá-nos indicações sobre o que nos deixa inseguros, mas também sobre o que nos protege e alimenta.


Mercúrio

Mercúrio é o planeta que orbita mais perto do Sol. Representa, por isso, a capacidade de perceber a realidade para além do Ser (Sol).

Liga a consciência aos outros aspectos da individualidade e, noutro nível, liga também a própria individualidade (o "Eu") a tudo o que lhe é exterior (o "não-eu"). Esta percepção eu e não-eu é a primeira dualidade, a primeira relativização.

Assim, Mercúrio estabelece vias de comunicação, tanto a nível interno (as várias facetas da personalidade), como a nível externo (eu e os outros). Mercúrio é o mensageiro dos deuses e o deus da comunicação.

Como planeta da comunicação, põe em contacto o Sol e os outros planetas. Sem este intermediário, não poderia haver a síntese de experiências em consciência.

É uma divindade dual, com uma faceta fútil e "trapaceira" e uma face profunda e transcendente. Por causa desta dualidade, pode "saltitar" entre a conversa trivial e a reflexão profunda. Reflexo desta dualidade é também a dupla função de deus dos comerciantes, ladrões e "pessoas comuns" e como o solene condutor das almas nos reinos subterrâneos.
Está associado aos vários aspectos da aprendizagem: linguagem, descrição, memória (a ponte entre o passado e o presente).

No mapa astrológico, Mercúrio define o modo como apreendemos a realidade. É a partir da nossa visão particular da realidade que descrevemos o mundo e com ele comunicamos. Mercúrio está, por isso, ligado à linguagem (gestual, falada, escrita, simbólica, etc.).
Indica o nosso modo particular de aprender e de comunicar e dá-nos indicações sobre os nossos processos de pensamento.

No seu aspecto negativo, Mercúrio divide em vez de ligar, faz intrigas, critica, disseca, engana e mente.


Vênus

Vênus é o segundo planeta a orbitar o Sol. Representa a capacidade individual de dar valor e de, desta forma, criar uma relação empática com o exterior.

Vênus vai mais além de Mercúrio: enquanto este faz pontes e põe em contacto, vénus une, através do valor e da empatia. É o planeta da coesão, da ligação, da harmonia e, nesse sentido, do Amor.

Vênus pode ser vivida a vários níveis.

No seu aspecto mais simples, pode simbolizar a atração física e o valor que se dá a objetos, relacionamentos ou pessoas. Define o que gostamos, o que não gostamos e o modo como o fazemos. Numa perspectiva mundana, a atração venusiana é vivida de forma material e concreta. Nesse sentido, representa o colectar e acumular de recursos físicos: posses e dinheiro. Quando Vênus está disfuncional, pode indicar superficialidade, sentimentos de posse e de inveja.

Num aspecto mais refinado, simboliza as relações amorosas de igualdade, prazer e respeito. Só nestes relacionamentos pode existir a verdadeira noção de valor, troca e reconhecimento.

Na sua expressão máxima, Vênus é a união para lá de emoções e sentimentos, a relação de compreensão, a fusão amorosa. Representa o sagrado, o valor na sua expressão divina e transcendental, o Arquétipo da Perfeição. É o "espelho" que reflete todas as potencialidades de ser e o incentiva à expressão mais refinada: a estética e a arte.

Tal como a Lua, Vênus é um arquétipo do feminino.

Enquanto a Lua é a imagem do Feminino (em particular da mãe), Vênus representa a mulher, enquanto companheira e amante. Alguns homens integram este símbolo, enquanto outros o projetam no exterior, dando origem ao conceito de "mulher ideal". Para as mulheres, é a imagem da "mulher perfeita", indicando as qualidades que devem ter para se sentirem bem com a sua feminilidade.

Vênus pode surgir no céu como Estrela da Manhã em certas épocas do ano e noutras como Estrela da Tarde, conforme nasce antes ou depois do Sol. Só pode ser vista de madrugada, antes da aurora, ou ao crepúsculo, pouco depois do poente.


Marte

Marte é o primeiro planeta exterior à órbita da Terra. Representa a energia, a atividade, o desejo e o movimento.

Em mitologia, Marte é o deus da guerra. Defende e define as fronteiras do pessoal. A sua função é o movimento que leva a novos estados de ser e a novos processos de consciência através do desejo.

Só podemos agir depois de termos alcançado alguma integração pessoal. Só quando a consciência do ser (Sol), os instintos protetores e necessidades emocionais (Lua), a percepção do exterior (Mercúrio) e a capacidade de relação e valoração (Vénus) estão em uníssono podemos entrar em ação. Sem esta condição prévia, qualquer ação seria desagregada e inconsequente.

Na sua expressão mais equilibrada, Marte serve os Luminares e os Planetas Pessoais, de forma a garantir a integridade e expansão da individualidade. A ação e o desejo, representados por este planeta, são postos ao serviço da consciência (Sol) e defendem as necessidades e inseguranças pessoais (Lua).

Quando disfuncional, a ação de Marte não é posta ao serviço dos outros planetas, tornando-se um entrave à expressão pessoal. O desejo pode tomar o comando da personalidade, tornando-a irracional, violenta e até animalesca, sem respeito por si nem por outros.
Tal como o Sol, Marte é um arquétipo do masculino.

Enquanto o Sol representa a imagem do Masculino e, em particular, a imagem do pai, Marte indica a imagem do Homem, no seu papel de companheiro, defensor e amante. Algumas mulheres integram esta imagem na sua personalidade, enquanto outras a projetam no exterior, fazendo surgir a imagem do "homem ideal". Para os homens, esta é a imagem do "homem perfeito", aquele que devem ser para se sentirem bem com a sua masculinidade.

Marte é também um indicador das reações sexuais e físicas. Juntamente com Vénus (o outro planeta relacional), indica a dinâmica relacional e sexual de um indivíduo.


Júpiter

Quando já atingimos uma boa integração pessoal e um sentido de independência pessoal, estamos prontos para nos expandirmos rumo ao exterior. Ao fazê-lo, vamos encontrar outros indivíduos, com características muito diferentes das nossas. Se cada indivíduo quisesse a todo o custo impor a sua vontade, a vida em sociedade seria impossível.

Júpiter, o primeiro planeta social, simboliza a expansão e os valores éticos, que reúnem e ultrapassam todas as preferências, necessidades e vontades pessoais em torno de um propósito comum.

Para agir em sociedade, é preciso primeiro interiorizar um valor colectivo, Júpiter apela para o que há de mais elevado em nós, é a ética, a Lei Universal. É também o ideal, a fé perante a qual vontade pessoal se submete de bom grado. Simboliza a autoconfiança, o sentido de aventura as viagens e o gosto pela aprendizagem. Em qualquer destas situações temos sempre possibilidade de conseguir uma expansão de consciência. Temos a possibilidade de passar do desejo pessoal, egoísta, à vontade de bem comum, altruísta.

Quando em desequilíbrio, Júpiter pode indicar exageros, abusos e "vigarices". O indivíduo é um juiz severo para os outros e um amigo indulgente para si mesmo. Pode ser irresponsável e ter o vício do jogo e da aventura gratuita.


Saturno

Durante muito tempo Saturno marcou o limite do Universo conhecido e também, em termos simbólicos, o limite da experiência humana.

Apesar da descoberta dos planetas transpessoais ter alargado estas fronteiras, o simbolismo de Saturno continua a manter-se. Este segundo planeta social marca ainda os limites pessoais e sociais da dimensão humana comum.

Saturno simboliza as barreiras, as estruturas, tudo o que põe limites e restringe. Trata-se, contudo, de uma limitação aparente: ao criar restrições, Saturno cria também a possibilidade de, através do esforço, ganharmos experiência e aperfeiçoamento. À medida que enfrentamos complexos e medos (de carácter pessoal ou colectivo), ganhamos responsabilidade sobre nós mesmos.

Saturno é, por isso, o planeta da Maturidade, do Tempo. É o planeta da Sabedoria, a única qualidade capaz de transformar limites e medos em experiência e solidez.

Saturno e Júpiter são complementares. Enquanto Júpiter representa a expansão, a ética, o optimismo e a fé, Saturno simboliza as dúvidas e os obstáculos que nos permitirão testar essa fé. Júpiter é a Lei interior, Saturno a lei exterior, as regras cujo não-cumprimento implica sanções. Saturno é, por isso, chamado o Senhor do Karma. Recorda-nos que somos responsáveis pelo nosso próprio destino e desafia-nos a crescer, vencendo medos e limitações.

O lado negativo deste planeta manifesta-se quando a rigidez e os medos ganham terreno, cristalizando toda a individualidade. Do ponto de vista psíquico, esta cristalização representa a paragem de algo que deveria ser dinâmico. Por este motivo, Saturno é por vezes representado como a própria figura da Morte.

Para lá de Saturno

Durante muito tempo, Saturno marcou o limite do Sistema Solar. A descoberta dos planetas para lá de Saturno só aconteceu depois de se desenvolverem telescópios suficientemente potentes.
Urano foi oficialmente descoberto em 1881, Neptuno em 1846 e Plutão em 1930.

Do ponto de vista simbólico, os trans saturninos representam desafios de transformação. Desafiam-nos a ultrapassar os limites pessoais e sociais e a transcender a personalidade. Têm, por isso, a designação de planetas transpessoais.

Como estão muito distantes do Sol, estes planetas têm ciclos muito lentos. Urano demora 7 anos a transitar por cada signo, Netuno leva 14 anos e Plutão tem um ciclo irregular, que varia entre 13 aos 30 anos em cada signo.

Assim, todas as pessoas de uma mesma faixa etária terão estes planetas aproximadamente na mesma posição zodiacal.

Desta forma, as várias "gerações" serão caracterizadas por diferentes combinações destes três planetas.

A dinâmica dos transpessoais indica, portanto, as grandes tendências transformativas globais.
Antes de qualquer interpretação pessoal, importa compreender a importância destes planetas na definição das temáticas das gerações. Eles definem, antes de mais, uma dinâmica colectiva de transformação.

A forma como cada indivíduo responderá a estes desafios depende de uma série de factores astrológicos e, em última análise, do próprio grau de autoconsciência pessoal.


Urano

Urano demora 84 anos a dar a volta completa ao Zodíaco e ocupa cada signo durante cerca de sete anos.

A sua descoberta oficial data de 1781, pouco depois da revolução francesa.

Representa um desafio mental de transformação ideológica.

Manifesta-se como uma súbita "onda" de descontentamento e impaciência colectiva. Este descontentamento, que se manifesta de forma súbita ou até excêntrica, leva ao debate, à abertura de novas possibilidades e ao progresso.

O signo de Urano num mapa natal indica os desafios de transformação ideológica.

Quando disfuncional, pode indicar imprevisibilidade, dificuldade em cooperar e excentricidade gratuita. Bem integrado, manifesta-se pela rapidez mental, abertura de espírito, ideias globais, originalidade e por vezes um toque de gênio.


Netuno

Netuno demora cerca de 164 anos a dar a volta completa ao Zodíaco; ocupa cada signo durante cerca de 13 anos.

Foi oficialmente descoberto em 1846, na época do movimento romântico.

Representa um anseio de transformação emocional.

Manifesta-se como uma idealização colectiva, uma visão de transmutação mística e absoluta que eleva ao Absoluto o tema do signo por onde transita. Segue-se uma fase de desilusões, que serão o ponto de partida para uma reformulação de base, mais abrangente e universal.

O signo de Netuno num mapa natal indica os anseios de transformação emocional e mística comuns a toda uma faixa etária ou "geração".

Quando disfuncional, Netuno pode indicar uma sensibilidade excessiva, ilusões, adicção a substâncias, fuga à realidade e perda de identidade. Bem ajustado, manifesta-se através da sensibilidade rica e criativa, sentimentos abrangentes e capacidade de sintonizar as vertentes transcendentes e místicas da vida.


Plutão

Plutão demora 248 anos a completar o seu ciclo Zodiacal. Como tem uma órbita irregular, a sua passagem pelos signos varia entre os 12 e os 30 anos.

Plutão, o último transsaturnino conhecido, foi descoberto em 1930, no período entre as duas guerras mundiais.

Representa um impulso intenso, compulsivo, de transformação total e definitiva.

Começa pelo intensificar das qualidades do signo por onde transita. Este tema terá de "morrer" nas suas antigas formas, para "renascer", numa expressão mais abrangente e poderosa.

A nível pessoal, a vivência disfuncional deste arquétipo poderá levar a obsessividade, compulsões e até violência. Quando bem integrado, indica uma poderosa capacidade de transformação, baseada no autocontrole.


A Terra como campo de experiência

Do ponto de vista astrológico, a Terra é um complemento do Sol.

No mapa natal, podemos considerar que se localiza no grau, signo e casa exatamente opostos ao Sol, formando com este um eixo.

Para quem estuda Astrologia, a Terra aparece como um conceito de teor mais simbólico do que prático. A sua interpretação é, portanto, diferente da dos outros planetas. Na verdade, só fará sentido quando considerada em função do Sol.

Como já vimos, o Sol simboliza a autoconsciência, a criatividade e a individualidade. A Terra, por seu turno, representa a manifestação concreta da consciência e a utilização prática da criatividade.

A vivência prática deste signo leva o signo do Sol a relativizar-se e tornar-se mais autoconsciente. Na verdade, só podemos realizar totalmente o signo solar quando tivermos experimentado em plenitude o seu oposto, ou seja, o signo da Terra.

Este eixo remete-nos para as polaridades dos signos e para a sua relação mútua - um signo só se define totalmente perante o seu signo complementar.

Num horóscopo natal, a Terra representa também o corpo físico, a base de operações, a existência física do ser. A Terra é o campo de experiência do Sol e, por extensão, de todo o mapa natal. Representa o corpo físico, a base de operações, a existência física do ser.

Num outra perspectiva, a relação Lua-Terra espelha a mobilidade face à permanência. A Lua simboliza tudo o que é móvel, variável, cíclico, moldável, enquanto a Terra indica a própria vida concreta. A Lua representa o sonho, a Terra indica a realização das coisas.

A relação entre a Lua e a Terra será, portanto, indicadora da capacidade materializar e tornar reais as sensibilidades, sonhos e necessidades do indivíduo.

Podemos também considerar a relação entre o Sol, a Lua e a Terra.

Estes três importantes pontos do mapa formam um triângulo simbólico, que representa o Espírito (Sol), a Alma (Lua) e o Corpo (Terra), ou, numa outra perspectiva, a consciência, a necessidade e a vivência concreta.

Torna-se, por isso, fundamental que a análise da relação Sol-Lua tome sempre em consideração o terceiro ponto: a Terra.

O símbolo da Terra mostra-nos um círculo com uma cruz sobreposta. Representa o Espírito na Matéria.


O eixo Sol-Terra

O campo de experiência e aprendizagem do Sol é a Terra.

É na Terra que temos oportunidade de testar na prática o nosso processo de consciência, simbolizado pelo Sol.

Este processo de aprendizagem manifesta-se pelo equilíbrio dos opostos: o eixo Sol-Terra.
Quando o Sol está num signo de Fogo, a Terra está num signo de Ar.

A identidade expansiva, enérgica e irradiante experimenta a comunicação e a relação com os outros, aprendendo assim a relativizar-se.

Sol em Carneiro, Terra em Balança: a ação e a impulsividade pessoais vão ser temperadas pelo relacionamento, o equilíbrio e a harmonização dos opostos.

Sol em Leão, Terra em Aquário: a expressão pessoal e autocentrada vai experimentar-se no grupo, confrontando-se com outras personalidades.

Sol em Sagitário, Terra em Gêmeos: a busca de identificação com ideais e filosofias é confrontada com outras formas de pensar e de comunicar.

Quando o Sol está num signo de Terra, a Terra está num signo de Água.

A expressão concreta e prática da identidade confronta-se com a profundidade e subjetividade do mundo do sentir.

Sol em Touro, Terra em Escorpião: a vivência da posse e acumulação, é dinamizada pela experiência da troca, partilha e perda.

Sol em Virgem, Terra em Peixes: a identidade definida, eficiente e perfeccionista aprende a lidar com a indefinição e inconstância dos sentimentos.

Sol em Capricórnio, Terra em Caranguejo: o ego ambicioso, austero e motivado para a expressão social sensibiliza-se para a necessidade de proteção e recolhimento juntos dos "seus".

Quando o Sol está num signo de Ar, a Terra está num signo de Fogo.

A capacidade de comunicar e estabelecer relações encontra identidades fortes e centradas, aprendendo assim a focar as suas energias.

Sol em Gêmeos, Terra em Sagitário: a relatividade e multiplicidade de ideias confronta-se com a busca de um propósito e de um sentido.

Sol em Balança, Terra em Carneiro: a expressão equilibrada, harmoniosa e virada para as relações é dinamizada pela ação direta e pessoal.

Sol em Aquário, Terra em Leão: a identidade focada no grupo e nas ideologias sociais complementa-se com a expressão assertiva de uma identidade bem definida.

Quando o Sol está num signo de Água, a Terra está num signo de Terra.

A identidade emotiva, vaga e fluida aprende a expressar-se de forma prática, eficaz e concreta.

Sol em Caranguejo, Terra em Capricórnio: a necessidade de alimento e proteção emocional é potenciada pelo suporte de estruturas sociais.

Sol em Escorpião, Terra em Touro: o poder e intensidade do ego são testados através da experiência de construção e gestão de formas.

Sol em Peixes, Terra em Virgem: a capacidade de sentir de forma total é temperada pela funcionalidade e eficiência.