sexta-feira, 24 de junho de 2016

A Linguagem dos Arquétipos - A Mandala Astrológica. Por Helena Avelar e Luís Ribeiro

Um horóscopo é uma mandala: é um símbolo composto por vários outros símbolos. Esta mandala representa o céu, visto a partir da Terra, num determinado dia, hora e local. No entanto, há que ter em conta que os corpos celestes ali representados devem ser encarados mais como princípios simbólicos do que como corpos físicos.

Em Astrologia, cada elemento do mapa tem um significado muito rico.

Os símbolos revelam-se progressivamente a quem sabe interpretá-los. A primeira fase de compreensão é de carácter intelectual: compreendemos o significado geral. Passamos depois a uma aproximação "emocional", em que nos deixamos tocar pelo conceito representado.

Finalmente, o símbolo começa a "falar" à nossa intuição. E quando chegamos a este estágio, descobrimos que, afinal, ainda nos falta muito mais para descobrir!

O mais interessante é que, apesar de toda a sua riqueza e mistério, os símbolos atribuídos aos planetas e signos têm mantido muitas semelhanças ao longo dos séculos. Assim, por exemplo, o planeta Vénus, que recebeu o seu nome atual da deusa romana da beleza e do amor, foi em tempos chamado Ishtar, que é o nome de uma outra deusa, também ela associada à sensualidade e à beleza física. O nome muda, os pormenores mudam, a ideia mantém-se.

Como é possível que várias culturas, separadas por milhares de quilômetros e existindo em épocas diferentes, tenham atribuído aos mesmos factores astrológicos uma simbologia tão semelhante?

Os Arquétipos

A resposta a esta questão leva-nos diretamente ao Inconsciente Colectivo, onde surgem os arquétipos. É no Arquétipo - palavra grega que significa tipo ou modelo primordial - que os símbolos têm a sua fonte e raiz.

Por estarem tão profundamente radicados no nível colectivo do inconsciente humano, estes arquétipos pouco mudam com o passar dos tempos e com a evolução das culturas. Contudo, não são estáticos e muito menos estagnados. Pelo contrário, renovam-se a cada momento e a cada momento ressurgem, sempre sob novas aparências, em cada época, em cada cultura e em cada país.

O estudante atento poderá reconhecer, subjacente às diferentes aparências, a raiz primordial.
Estes arquétipos (fonte de todos os símbolos) são, portanto, as "palavras" da linguagem astrológica.

Por estar enraizada no próprio inconsciente colectivo, esta linguagem é intemporal e perene. É comum a todos os seres humanos, independentemente da suas raízes culturais, religiosas ou étnicas.

A Astrologia fala-nos, portanto, dos grandes temas de Humanidade, daquilo que está subjacente a todas as culturas e épocas: a consciência do ser humano e do seu papel no Universo.

O Horóscopo

A palavra Horóscopo significa em grego "considerar os céus" ou "ver a hora". Para fazer o horóscopo ou mapa natal, os astrólogos consideram, portanto, a posição relativa dos astros nos céus (entre outros factores) num dado momento.

Como já referimos, o horóscopo representa o aspecto do céu, visto a partir da Terra, num determinado dia, hora e local. O mapa natal é, portanto, uma representação bidimensional do conjunto dos corpos celestes do Sistema Solar e das estrelas que formam o Zodíaco.

Em termos muito simplificados, diríamos que o que está representado num mapa natal pode resumir-se em três palavras: signos, planetas e casas. Existem muitos outros factores astrológicos, mas estes são, sem dúvida, os principais.

Os doze signos astrológicos são os factores primordiais do mapa. Eles constituem doze "modos" ou "estados do ser", através dos quais a natureza humana se manifesta. Estes signos formam uma "cintura", que tem o nome de Zodíaco (em grego: "roda da Vida" ou "círculo de animais").

Quando observamos os planetas a partir da Terra, estes parecem movimentar-se ao longo desta "cintura".

Existem dez corpos celestes que em Astrologia recebem a designação genérica de "planetas": Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno, Plutão e ainda os Luminares: o Sol e a Lua. (Alguns astrólogos utilizam também o planeta Terra como fator de interpretação).

Em Astrologia, considera-se que a designação de "planeta", que em grego quer dizer "corpo errante" (ou seja: em movimento), se aplica a todos os corpos que circulam através do Zodíaco, incluindo o Sol e a Lua.

A perspectiva atual da Astrologia, considera que os planetas representam "funções" ou aspectos da natureza humana. Eles mostram partes de nós, aspectos da nossa natureza. A Lua, por exemplo, simboliza as necessidades e os apegos emocionais, enquanto Marte diz respeito à capacidade de ação e à afirmação pessoal.

Quanto às Casas Astrológicas, são projeções geocêntricas, calculadas a partir do horizonte. Simbolizam as doze áreas de vida onde vamos viver os temas indicados pelos signos, através dos aspectos indicados pelos planetas. Por exemplo: se tivermos o planeta Vénus no signo de Gêmeos e na Casa VII, podemos inferir que a nossa função afetiva e relacional (Vénus) está a expressar um tema de comunicação, troca de ideias e curiosidade (Gêmeos) na área dos relacionamentos (Casas VII). Assim, podemos concluir várias coisas: que temos a capacidade de nos relacionarmos de forma viva, rápida e "cerebral"; que procuramos parceiros com estas características; que a nossa curiosidade e versatilidade relacional nos levam a ter várias relações ou ainda que somos demasiado "leves" e descomprometidos para ter uma relação séria! Claro que todos estes factores são apenas um aspecto da nossa natureza. Este aspecto deverá ser comparado com o resto do mapa natal, para termos uma ideia correta.

Assim, podemos comparar o mapa natal a uma peça de teatro: os Signos seriam os "papéis" que nos compete desempenhar; os Planetas seriam os "atores" que os desempenham, enquanto as Casas são os "palcos" ou áreas de vida onde vivemos esses papéis.