terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Astrologia: Signos Interceptados e qualidades não desenvolvidas (por Eduardo Rocchigiani)

Apesar de frequentemente indicarem um certo desequilíbrio e conflitos, devido à falta de perspectiva que o ambiente oferece para manifestá-los, os signos interceptados não expressam, necessariamente, qualquer tipo de deficiência ou repressão, mas informam sobre qualidades não desenvolvidas, negligenciadas ou situações mal trabalhadas (para a Astrologia Cármica têm a ver com vidas passadas), apontando para atividades e comportamentos contrários à natureza ativa (dinâmica) do signo, tendo-se negligenciado as funções indicadas por esse setor. Podem criar frustrações devido à dificuldade de exteriorização desta atividade expressa pelo signo, especialmente se houver um planeta confinado. Geralmente as circunstâncias ou situações a ele relacionadas não são objetivas, nem facilmente percebidas. Os signos interceptados costumam retratar uma certa carência interna, algo que nos falta e nos incomoda e que estamos sempre procurando encontrar nos outros - o par de signos sofre um bloqueio tanto em nível de expressão quanto de percepção (que caracteriza a dificuldade de circulação do fluxo energético); as dificuldades partem das condições e situações externas (casas). É melhor se um dos signos estiver numa casa de sua Regência ou Corregência ou ainda de sua Exaltação; sendo pior em casas de seu Exílio ou Queda.

Se aparece um signo interceptado, haverá fatalmente duas cúspides de casas em um mesmo signo, compondo assim as "casas curtas" do mapa. Estas são interpretadas como sendo áreas em que o indivíduo presta menos atenção, ou podem ser indicadoras de estágios de desenvolvimento mais compacto, sintético, portanto de menor exigência para o desenvolvimento do indivíduo; a Astrologia Cármica diz que esses setores mais curtos foram bem vivenciados em vidas passadas.


Os astros localizados nos signos interceptados (dito planeta confinado ou interceptado - expresso pelo símbolo #) tornam-se mais autorreprimidos, mas não deficitários, não conseguindo manifestar-se diretamente; parece que ficam "sem lugar", eles agem "fora do tempo". Expressam, através da casa em que se encontram, limitações e restrições impostas pelo meio ambiente ou por situações. A tendência é dispensar-se menor atenção ao signo interceptado e ao planeta confinado, de modo que os assuntos a eles relacionados ficam mal resolvidos. Costumeiramente, algumas das funções que o astro confinado representa são retardadas para fases posteriores da vida ou do desenvolvimento do nativo, podendo expressar também disfunções do desenvolvimento psicossomático.

Segundo a Astrologia Cármica, quando um planeta está confinado há limitações provenientes do passado; ele potencializa, principalmente através dos aspectos e dos trânsitos, a possibilidade de suprimir as limitações expressas pelo signo interceptado. Pode haver uma certa "espiritualização" da ação planetária ou suas funções tornam-se imaginárias, fugidias; ele adota um cunho um pouco netuniano.

Um planeta confinado (#) tem suas funções um pouco confusas, pois está numa casa que é subordinada a outro signo (o qual ocupa sua cúspide); para que ele se expresse melhor, é necessário que tenha algum aspecto (de preferência harmônico) com o regente do signo que ocupa a cúspide da casa em questão. É preciso verificar se por progressão esse planeta sai do confinamento, e indicar a data/idade, pois ela estabelece um período muito importante para o nativo em relação à função indicada pelo confinamento.

Uma situação particularmente complexa dá-se quando temos um astro simultaneamente retrógrado e confinado (# e R); neste caso, na maioria das vezes, além de a função ser interna (R), ela é menos consciente, obsessiva e, ocasionalmente, explosiva (#), provocando algum tipo de "obrigação", uma "responsabilidade" que ocorrerá com ou sem o nosso acordo. A impressão imediata que se pode ter dessa pessoa é que ela não desenvolveu os fatores relativos a esse astro (exemplo: Mercúrio R e # poderia ser caracterizado como um indivíduo que não saberia se comunicar e se expressar devidamente e que teria dificuldades no campo intelectivo/neural, podendo ser indicador de patologias ou excepcionalidades (no sentido de "exceção", ou seja, tanto o gênio quanto o deficiente mental).