segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Plutão em Leão (1937/39-1956/57), por Puiggros

No signo de Leão, regido pelo Sol, o ego, a consciência, a semente de Plutão em Áries frutificam, expressam-se livremente, com facilidade (Leão em trígono com Áries). É o momento da colheita.

A geração que apresenta Plutão em Leão se torna consciente de sua individualidade; a expressão do eu, do ego, é imperiosa e exige os direitos ao livre fluir de sua energia e de seus desejos como elemento indispensável ao correto desenvolvimento da personalidade.

O segmento da sociedade com Plutão em Leão transgrediu todas as regras e se erigiu como líder de si mesma. Os teenagers enquanto fenômeno social diferenciado e a ampla gama de movimentos dos anos sessenta e setenta - dos amantes do rock'n' roll aos beatniks - deixaram uma marca indelével na história.

Essa necessidade de manifestar a própria individualidade, de projetar-se e de criar a partir de si mesmo, assim como, em função disso, a reação a qualquer tipo de norma, controle e poder, estavam em clara oposição à situação geral, manipulada por ditadores de todas as espécies, tanto na esfera econômica como na política.

Esse período viu-se marcado pelo egoísmo, pelo orgulho e pelo desejo de poder dos dirigentes das nações, bem como pela megalomania e pela obsessão por parte das esferas de influência ou ainda pelo governo mundial. Era o momento em que Hitler (Touro), Mussolini (Leão), Hirohito (Escorpião) e Roosevelt (Aquário), cada um à sua maneira e de acordo com seu temperamento, levaram o mundo à Segunda Guerra Mundial. Quatro signos fixos, em quadratura e em oposição entre si, que, de modo drástico, limitaram e canalizaram o nascente poder de Plutão em Leão.

A geração de Plutão em Câncer, não desejando que seus filhos passassem "pelas privações por que ela havia passado", deu-lhes todos os gostos e facilidades. Em outras palavras, superprotegeu-os; entre as coisas que fez pelos filhos, ganham destaque os assuntos referentes à educação. Os jovens de Plutão em Leão constituem a geração que, em sua maioria, teve acesso a uma boa educação; são eles os primeiros a poderem freqüentar maciçamente a universidade e tal fato deveria ser notado mais tarde, nos anos sessenta, na rebeldia diante de um tipo de vida que, para tais jovens, se mostrava carente de sentido. É a geração da carona, da busca de horizontes de afirmação pessoal; a "casa" está onde se encontra o saco de dormir, e as mulheres renunciam a seu tradicional papel de "mães". A "segurança" dessa geração é ela mesma.

São líderes naturais e, com o tempo - com o trânsito de Plutão em Libra, formando sextil com seu Plutão -, se moderam integrando-se na sociedade, onde transformaram-se em dirigentes de fábricas, empresas e países, oferecendo uma visão mais ampla e mais aquariana que seus predecessores. Demonstram maior tolerância em relação à opinião dos demais porque aprenderam que devem modificar a noção de poder. Viram que, se o homem não se une por amor, acaba por unir-se pelo sangue derramado nos campos de batalha da Terra.

Mas talvez as mudanças mais espetaculares se tenham realizado no terreno do sexo, que passou a ser entendido como um prazer e não como um dever. A informação sobre sexo foi exaustiva e abrangeu todos os veículos, desde Playboy à mais meticulosa análise científica, às aulas de sexualidade nas escolas, passando pelo erotismo que polarizou a publicidade desses anos. O uso maciço das pílulas anticoncepcionais e a liberação do aborto na maioria dos países permitiram o livre exercício da sexualidade e a decisão de trazer ou não novos seres ao mundo.