segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Plutão na Casa 12, por Puiggros

Plutão, o planeta do oculto, do sutil e do misterioso, no setor doze - o setor da solidão, das grandes provas, do inconsciente e do místico -, de certa maneira pressupõe uma redundância.

Trata-se de uma posição difícil, em que a poderosa força do planeta se manifesta através de situações sobre as quais pouco sabemos e em relação às quais pouco podemos fazer.

Indica uma sensibilidade e uma profundidade extremas, bem como uma vida plena de experiências internas. Pode produzir um psiquismo desenvolvido e uma hipersensibilidade descontrolada.

Grandes períodos de autêntica solidão, desejados ou não, nos quais uma pessoa pode atingir até as raízes de seu próprio mistério, constituindo tal coisa, na melhor das hipóteses, um procedimento prévio e obrigatório para a própria ressurreição.

Esse indivíduo possui recursos, força ou poder ocultos; trata-se de uma grande reserva de energia que ele tem a possibilidade de concretizar ou não.

Nesse setor, Plutão indica grandes provas e experiências pouco comuns ou até mesmo fantásticas, de acordo com seu grande potencial.

Se está bem aspectado, fornece ao indivíduo uma grande capacidade de compreensão e de compaixão em relação aos outros, coisa que, sem dúvida alguma, pode ser-lhe imprescindível para entender e para aceitar as provas a que será submetido. Como a casa doze é a casa dos inimigos ocultos"e das doenças crônicas, devem-se esperar, especialmente se Plutão está aflito, inimigos poderosos e maldosos e possivelmente uma perturbação interna, difícil de diagnosticar e de erradicar.

Essa posição é freqüentemente encontrada em artistas, poetas e em pessoas que, de uma maneira ou de outra, vivem separadas da sociedade.

Nessa casa, o lado mais elevado de Plutão se manifesta como desejo de ser um canal através do qual possa fluir a ajuda aos limitados e angustiados.

A vontade de auto-anulação e de auto-sacrifício, dirigida para o serviço da humanidade, traz consigo a sabedoria do aspecto positivo de Plutão nesse setor.

Mal utilizada, essa energia tende à autopiedade, à auto-recriminação e a uma tendência a ver em todas as circunstâncias a presença de conspirações contra a própria pessoa.

O inimigo secreto reside no próprio subconsciente, o depósito em que se acumulam todos os resíduos psicológicos; o indivíduo deve enfrentar as próprias falhas e tentações, a fim de evitar o sentimento de culpa.

Na casa doze, Plutão obriga a pessoa ao serviço e ensina que "serviço não é sacrifício", já que o conceito de sacrifício elimina o valor do serviço.