segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Plutão na Casa 7, por Puiggros

O indivíduo se projeta no complementar, descobrindo-se a si mesmo através do "não-eu". O ponto de consciência representado por Plutão se manifesta através do "outro", geralmente o cônjuge. É possível dizer que a pessoa encontra o destino por meio do companheiro, desse "outro".

Trata-se de uma situação delicada, que necessita do adequado sentido de equilíbrio entre o eu e todo o resto, simbolizado pelo cônjuge. Esse é o campo a partir

do qual o indivíduo projeta seus sentimentos mais ocultos, seus fantasmas mais desconhecidos, e, por essa razão,

é a área da vida onde é possível conhece-los, libertar-se deles e regenerar-se. As relações constituem o lugar no qual uma pessoa encontra algo, a energia plutoniana, que é mais forte, poderosa e inevitável que a própria vontade de decisão.

Nesse encontro com o poder, ocorre de a pessoa pensar que a única coisa que pode fazer é confiar no destino; essa impotência é sentida através do, e em relação com o "outro".

As circunstâncias e a maneira pela qual tal coisa se apresenta podem variar muito. Pode acontecer que o companheiro, por caráter ou em vista de circunstâncias, imponha um enfoque, um destino, acerca do qual o indivíduo nada possa fazer; pode ocorrer ainda que esse indivíduo, por sua estrutura psicológica, embora o deseje e procure pô-lo em prática, seja incapaz de alterar suas necessidades no que se refere a essa relação.

São enormes as variações oferecidas por Plutão na casa sete. Divórcio, triângulos amorosos, experiências de domínio ou de submissão, batalhas pelo poder, problemas sexuais, loucura ou morte do companheiro, sacrifício,problema e perturbações emocionais profundas. Fracassos.

Nesse setor, em que os laços pessoais são tão fortes, todos os encontros apresentam alguma turbulência e, quanto mais profundos são, menos se submetem ao nosso controle. Em função disso, as pessoas com Plutão na casa sete tendem a evitar envolver-se em relações profundas, mas, cedo ou tarde, deverão encontrar-se a si mesmas, refletidas no outro, e confrontar-se com seu destino.

Ao projetarmos no outro o nosso inframundo particular, o subconsciente, deixam de ter importância as características desse outro. Nós o vestimos com nossas emoções primordiais; o outro não é assim, mas, através do disfarce, percebemos como somos nós. Desse modo, essa pessoa adornada por nossas experiências patológicas se integra em nossa vida como amante, amiga ou companheira. Apresenta um encanto irresistível; quanto a nós, não somos livres, temos necessidade de nos encontrar com esse arquétipo enquanto ingrediente imprescindível de nossa experiência.

Nesse setor, Plutão ensina o desapego à "personalidade", a habilidade de ver os dois lados de uma questão e uma profunda compreensão do significado do Amor como princípio.

Pode significar uma união da qual a pessoa não consegue escapar, ou, pelo contrário, múltiplas uniões normalmente de caráter compulsivo. Tendências a passar para outrem a iniciativa, dependência em relação aos outros e também o comportamento oposto. O companheiro representa o lugar em que nos impomos aos demais. Paixão. Aflito, tendências destrutivas, sadomasoquismo. Tragédias.

Desejo compulsivo e inconsciente de procurar o companheiro "ideal". Uniões não convencionais ou ilegais e grandes períodos de solidão dentro da relação, decorrente da falta de compreensão com o companheiro. Plutão pode destruir tudo aquilo que se considera estável, aí incluída a tradicional frase da cerimônia matrimonial: "até que a morte os separe". E isso ocorre porque Plutão rege todos os tipos de morte.