sexta-feira, 10 de junho de 2016

As Revoluções Solares da Morte, por Alexandre Volguini.

Quase todas as ciências conheceram, no século XIX, uma época de entusiasmo pelas estatísticas. Na astrologia, essa euforia ocorreu bem mais tarde e somente agora ouvem-se algumas tímidas vozes que se elevam contra essa prática, ao passo que, em medicina (que, em muitos pontos, se assemelha à astrologia), a voz de Claude Bernard já podia ser ouvida há mais de um século. Com efeito, em sua Introduction à l'Étude de la Médecine Expérimentale (Paris, 1865), ele declarou que o uso das médias e o emprego da estatística em medicina e em fisiologia conduzem, por assim dizer, necessariamente ao erro.

Além disso, Claude Bernard esclareceu que não rechaça o emprego da estatística em medicina, mas que censura o fato de não se ir mais adiante e de acreditar-se que a estatística deve servir de base à ciência médica. Seu pensamento consiste em aplicar à medicina os princípios do método experimental, a fim de que, em lugar de permanecer uma ciência conjectural fundada na estatística, ela possa tornar-se uma ciência exata baseada no determinismo experimental.

Essa opinião de Claude Bernard reveste-se de atualidade para a astrologia e eu tinha obrigação de citá-la antes de falar dos resultados das estatísticas feitas por L. Lasson acerca das 360 Revoluções Solares que precedem a morte.


Tais estatísticas fundamentam-se no seguinte:

a) O lugar do Sol na VIII Casa anual;

b) A presença do Ascendente natal na VIII Casa anual;

c) A presença do Ascendente anual na VIII Casa natal;

d) O retorno do Ascendente anual a seu lugar natal;

e) A oposição entre dois Ascendentes.

Contudo, deixemos a palavra a L. Lasson:

"A média esperada para cada Casa era, em 360, de trinta casos e nós encontramos:

1º Sol em VIII de Revolução: 38 casos, isto é, 27% a mais;

2º Ascendente radical em VIII de Revolução: 31 casos, isto é, 3% a mais;

3º Ascendente de Revolução em VIII radical: 32 casos, isto é, 7% a mais;

4º Ascendente de Revolução sobre Ascendente radical (com 15° de aproximação): 38 casos, isto é, 27% a mais;

5º Ascendente de Revolução em oposição ao Ascendente radical (com 15° de aproximação): 25 casos, isto é, 17% a menos.

Fiéis à verdade, devemos, além disso, esclarecer que o exame detalhado dessas estatísticas — estabelecidas sob a forma geométrica e nas quais, em conseqüência, todos os matizes dos resultados são aparentes — revela um valor mais sensível.

Com efeito, para as três primeiras estatísticas, as acumulações de casos foram sobretudo marcadas nas proximidades da cúspide da VIII Casa (zona de intensidade máxima). Se se considerasse apenas a metade dessa Casa (média, quinze casos), os resultados seriam:

1ª estatística: 21 casos, isto é, 40% superior à média.

2ª estatística: 19 casos, isto é, 27% superior à média.

3ª estatística:  18 casos, isto é, 20% superior à média.

Para as duas últimas estatísticas, as acumulações de casos são ainda mais surpreendentes, em virtude da oposição entre mortes violentas e mortes naturais por elas ressaltada.

Os casos de mortes violentas oferecem uma considerável acumulação de casos nos quais o Ascendente de Revolução se encontra sobre o Ascendente Natal (com 15° de aproximação); neste caso, a média é superada em 60%; pelo contrário, os casos em que o Ascendente de Revolução está sobre a cúspide da VII (oposta ao Ascendente natal) são bastante raros: 40% a menos que a média.

Os casos de mortes naturais dão resultados inversos: 40% a menos para a conjunção Ascendente sobre Ascendente; 30% a mais para a oposição.

Essas anomalias — que, ainda assim, provam de forma inegável a influência das relações entre as duas domiciliações — podem ser explicadas da seguinte maneira:

— a morte violenta está inscrita por maus aspectos no tema natal; o retomo da domiciliação à sua posição primeira excita essas influências latentes, enquanto a oposição das duas domiciliações as trava; e

— a morte natural é a conseqüência de um bom tema, que se verá reforçado pelo retomo de uma mesma domiciliação e perturbado por uma domiciliação oposta"...

Essa curiosa descoberta de L. Lasson é, evidentemente, bastante valiosa, mas, em nossa opinião, o valor fundamental dessas estatísticas consiste em representarem uma prova objetiva de que as relações entre as Casas anuais e as Casas natais compõem a base da interpretação das Revoluções Solares.