sexta-feira, 10 de junho de 2016

Carma, por Catherine Aubier

Trata-se de uma das noções capitais do hinduísmo e do budismo. Nosso destino é fruto de nossas ações, isto é, a projeção de nossas solicitações, o resultado direto de nossos desejos mais persistentes e de nossos temores mais obscuros. Essa visão é de uma responsabilidade individual ilimitada, já que somos, nós mesmos, ao mesmo tempo nossa própria vítima e nosso próprio benfeitor, de acordo com mecanismos de autopunição, autogratificação ou de bloqueios escondidos no inconsciente. Os samskaras (impressões do passado) e os vasanas (solicitações latentes oriundas desse passado) estão continuamente trabalhando para nos ditar, nos impor uma seqüência sem fim de reações e de pulsões, que criam sem cessar outros samskaras e outros vasanas. Acorrentam-nos de uma maneira obsessiva ao interminável cortejo espectral de nossos predecessores, aos de nossa existência atual (o adolescente, a criança, o bebê que viveram e desapareceram em nós) e aos de inumeráveis existências anteriores que revivem, em nós, os desejos não satisfeitos, os medos não apaziguados, as frustrações acumuladas.

O estimulador do carma é o apego ao fruto da ação, isto é, a possessividade. A liberação — a aceitação do que é, a adesão ao instante presente, a realização da não-dualidade — é o fim do carma, pois o carma é dualidade: eu e minha insatisfação, eu e minha avidez, eu e minha sede de me tornar outra coisa. É o fim da ronda dolorosa dos renascimentos. No plano astrológico, pode-se considerar que é o Tema, em sua totalidade, que reflete o carma de um indivíduo, isto é, o conjunto específico de seus medos, desejos, tendências e necessidades no momento de seu nascimento. Nessa perspectiva, um Tema astrológico exprime fielmente as faltas, as insatisfações e as motivações herdadas das passagens precedentes na Terra. A esse respeito, os signos traduzem mais especificamente o clima psicológico, a coloração das tendências, as direções do comportamento; os planetas indicam os níveis mais desenvolvidos, as funções mais privilegiadas (vitalidade, intelectualidade, emotividade, imaginação, combatividade, etc.); as casas informam sobre os campos de experiência através dos quais se desenvolverão as principais solicitações do indivíduo; os aspectos permitirão discernir os pontos mais sensíveis, os elementos mais equilibrados ou os mais vulneráveis.

Um Tema é, em suma, corno um receptáculo da memória de vidas anteriores e das grandes motivações que delas procedem. Certos astrólogos construíram teorias associando o carma a este ou àquele fator preciso; em particular, às retrogradações planetárias (cada planeta retrógrado indicaria um problema não resolvido, a ser enfrentado na presente encarnação, se quisermos evitar um acúmulo numa vida futura) e aos Nodos lunares.