sexta-feira, 10 de junho de 2016

Os Aspectos entre Planetas da Revolução Solar, por Alexandre Volguini.

O orbe dos aspectos numa Revolução Solar parece ser menor que no tema natal. Não atribuo aos luminares mais que o orbe de 8o na ocorrência de uma conjunção ou oposição aplicante, e aos outros planetas, 6o. Quanto mais ajustado é um aspecto, mais seus efeitos são tangíveis e evidentes. Um aspecto separativo indica geralmente uma coisa que teve lugar antes do momento do aniversário e não pode, em função disso, produzir senão uma aparência de realização durante o ano vindouro.

Os aspectos devem ser julgados de acordo com o conjunto do tema anual. Os seus significados são perceptivelmente semelhantes àqueles do tema natal, mas parece que as configurações principais possuem também características particulares, próprias das Revoluções Solares. As edições anteriores deste livro já assinalavam que a oposição de Marte a Urano, caso se produza nas Casas financeiras (II e VIII), provoca um roubo ou uma perda de dinheiro inteiramente independentes da vontade do sujeito. Da mesma maneira, os maus aspectos entre Urano e o Ascendente relacionam-se com acidentes provocados pela eletricidade, cuja gravidade é proporcional à força de Urano.

Procuremos definir algumas dessas significações particulares.

A conjunção do Sol com a Lua forma sempre um nodo nevrálgico do tema anual. Se essa conjunção já existia na hora do nascimento, o acontecimento que anuncia modificará todo o destino do sujeito; nos outros casos, trata-se de um fato importante do ano. A natureza do signo zodiacal manifesta-se sempre de modo muito intenso e, em Áries, essa configuração levará a lutas ou ao desejo de libertar-se; em Touro, conduzirá a esforços tenazes em busca de uma meta determinada; em Gêmeos, a uma grande flutuação e à indecisão sob a influência do meio ambiente. Em Câncer, o nativo está absorvido pelas preocupações familiares; em Leão, as ambições desmedidas terminam em decepção etc. As Casas mostram o domínio em que essas tendências fundamentais agirão com o máximo de força. Na II, as lutas, os esforços, a flutuação, as preocupações familiares, as ambições etc. afetam sobretudo as finanças; na III, as relações com os parentes, os vizinhos, ou outra significação dessa Casa; na IV, as propriedades imobiliárias ou os parentes etc. Se os dois luminares estavam em trígono no momento do nascimento, essa conjunção não é muito má; por outro lado, ela se relaciona quase sempre com fatos desagradáveis, como, por exemplo, com um processo em curso ou com a busca, por parte de um comerciante, de uma associação (ideia contrária a sua maneira de pensar, mas a única que pode evitar o encerramento do estabelecimento), na VII Casa; ou com a venda de uma propriedade de importância, na VIII; ou com a expatriação, abandonando alguns parentes amados, na IX.

A conjunção do Sol e de Marte parece ser uma configuração de violência e brutalidade, exercida (quando ela se coloca no Ascendente ou no Meio-do-Céu anual) ou suportada. Se esses dois planetas estavam em mau aspecto no tema natal, ou ainda se essa conjunção é "reforçada" pela presença do Ascendente anual na VI ou na XII Casa natal ou no signo de Escorpião, é possível deduzir os golpes, os tumultos e as ofensas; no entanto, sob essa configuração, observa-se sempre uma onda crescente de algum sentimento bastante forte (ciúme, ódio, cólera etc.) que acaba em violência. Muito frequente nas Revoluções Solares que correspondem aos dramas ditos passionais, ela marca uma espécie de "abscesso psicológico" que se transforma, na maioria das vezes e de modo rápido, em conflito agudo. Em função disso, é encontrada amiúde nos anos que contêm rupturas e divórcios, assim como tentativas de suicídio. Na VI e na XII Casas, essa conjunção pode corresponder a intervenções cirúrgicas.

A conjunção do Sol e de Júpiter aumenta as ambições e a sede de ganhos, assim como o instinto sexual. Afligida por Marte, essa configuração é perigosa do ponto de vista da saúde (perturbações circulatórias, abscessos, envenenamentos do sangue, flegmões etc.) e predispõe aos excessos. Sua influência é claramente mais feliz nas II, X, IV e VIII Casas do que no Ascendente, no qual a satisfação própria é frequentemente acompanhada por uma euforia despropositada e inteiramente passageira.

A conjunção do Sol e de Saturno indica um ano de solidão moral e física, bem como de preocupações constantes. Como o Sol é o principal significador do homem num tema feminino, trata-se, entre as mulheres, das preocupações e dos aborrecimentos ocasionados pelo marido, pelo pai ou pelo filho e, frequentemente, pela separação deste último. Contrariamente ao que se possa esperar, essa conjunção não tem influência sobre a saúde, a não ser que se encontre na VI ou na XII Casa, ou ainda que um desses planetas esteja ligado por regência a uma dessas duas Casas. Pelo contrário, ela age fortemente no sentido restritivo, impedindo o sujeito de ser feliz e retardando as boas coisas. Essa configuração só atua de uma maneira feliz caso o Ascendente natal esteja no signo de Capricórnio e caso o Sol e Saturno de nascimento não formem nenhum aspecto dissonante entre si; apenas neste último caso essa conjunção marca um progresso, uma elevação, uma modificação da existência ou outro acontecimento que corresponda aos projetos ou às ambições do sujeito e que influencie, de maneira duradoura e feliz, a curva de seu destino.

A conjunção do Sol e de Urano pressagia sempre uma transformação profunda e repentina da existência com base na natureza da Casa em que se coloca. Se o Ascendente está em Leão, o próprio sujeito desencadeia essa transformação, às vezes sem perceber e sem prever todas as suas consequências. Se esses dois planetas estavam em bom aspecto no momento do nascimento e estão bem aspectados na Revolução Solar, sua conjunção pressagia um acontecimento inesperado e imprevisível, porém bom, como, por exemplo, uma possibilidade maravilhosa e insuspeitada, devida unicamente ao auxílio feliz das circunstâncias. Em todas as outras condições, essa conjunção é nefasta e o caráter maléfico é claramente agravado se, no tema natal, o Sol estava em quadratura com Urano (ou em oposição a este), ou se essa conjunção está mal aspectada.

A conjunção do Sol e de Netuno mostra geralmente um ambiente muito perturbado e suspeito, levando à regressão das coisas indicadas pela Casa em que se situa. O sujeito vive, na maioria das vezes, em condições ambíguas que causam temores ou, sob bons aspectos, esperanças fadadas mais tarde aos fracassos.

A conjunção do Sol e de Plutão traduz-se principalmente por tendências mais práticas e utilitárias que antes, bem como pela necessidade de se esforçar mais. Frequentemente é um indício de um êxito que supera as esperanças.

A conjunção da Lua e de Mercúrio é, antes de tudo, o indício das viagens e dos deslocamentos. Ela facilita também, de modo claro, a expressão verbal e, em função disso, marca frequentemente os anos de progresso de um político, de êxitos de um representante comercial e de trabalho fecundo de um jornalista ou de um escritor. Mal aspectada, é o signo de um conflito entre os sentimentos e os interesses, fator que constitui a significação principal da oposição entre esses dois planetas. Essa oposição, caso se coloque sobre o horizonte, marca o antagonismo entre o desejo e as necessidades da vida cotidiana, ao passo que, sobre o meridiano, predispõe aos embates entre as obrigações profissionais e a vida familiar.

A conjunção da Lua e de Vênus é uma configuração simultaneamente feliz e lasciva, fato que a leva a ser mais frequentemente encontrada regulando os acontecimentos na vida privada do que correspondendo à vida profissional. E um dos indícios de fecundidade nas Revoluções Solares femininas e pode ser observada, amiúde, nos anos de gravidez e de nascimento.

A conjunção da Lua e de Marte pressagia excessos e imprudências de todos os tipos, reduz a flexibilidade nas relações com os outros e, caso um desses dois planetas seja regente do Ascendente, coloca o sujeito em perigo de provocar, por si próprio, aborrecimentos sérios. Essa conjunção parece ser mais nociva nos temas femininos que nos masculinos.

A conjunção da Lua e de Júpiter parece indicar sempre a melhoria da fortuna, as entradas de dinheiro, os presentes apreciáveis e outras vantagens materiais. Tal como a conjunção da Lua e de Vênus, é um indício da facilidade nas questões indicadas pela Casa em que se situa.

A conjunção da Lua e de Saturno indica grandes aborrecimentos provenientes das mulheres (ela age, nos temas masculinos, da mesma maneira que a conjunção do Sol e de Saturno nos temas femininos).

A conjunção da Lua e de Urano permite sempre prever o desenvolvimento imprevisto dos acontecimentos indicados pela Casa e pelo signo, modificando toda a existência do sujeito. É frequentemente encontrada nos anos de acidentes e de operações e conduz sempre a viagens que contêm um forte elemento de surpresa.

A conjunção da Lua e de Netuno mostra uma pessoa mais ou menos desamparada e que conta mais com os outros do que consigo mesma; essa configuração corresponde, com freqüência, a uma engrenagem que diminui as possibilidades, a vontade e até mesmo a moralidade, inclinando a ações deploráveis. Se esses dois planetas estavam em bom aspecto no tema natal ou se essa conjunção está bem situada na Revolução Solar, trata-se do prenuncio mais seguro de viagens por água e de novidades na vida sentimental.

A conjunção da Lua e de Plutão é um indício de viagens que trazem satisfações e que possibilitam novos conhecimentos, assim como da evolução precipitada da natureza da Casa horoscópica.

A conjunção de Mercúrio e de Vênus é importante, sobretudo quando repete a mesma conjunção natal e quando se produz num signo diferente daquele do nascimento; neste último caso, não faz mais que acentuar os significados natais. Essa conjunção parece vincular-se particularmente às relações do sujeito com o meio ambiente. Embora Mercúrio jamais se afaste do Sol mais que 29° e Vênus mais que 48°, essa conjunção é mais rara do que se pode supor à primeira vista e, às vezes, só é encontrada de cinco a seis vezes em toda a vida.

A conjunção de Mercúrio e de Marte é essencialmente a configuração dos erros, das imprudências pessoais e dos aborrecimentos provocados pelo sujeito, ainda que um desses dois planetas esteja bem colocado. As Casas não fazem mais do que canalizar essa tendência para este ou para aquele domínio. Na VI Casa, é o presságio de ferimentos nas mãos ou nos braços, ou, em certos casos graves, de ferimentos efetuados pela mão do homem (tudo indica que as operações cirúrgicas devem ser classificadas nessa última categoria).

A oposição entre esses dois planetas refere-se a conflitos, discórdias, litígios ou discussões, determinados pelas Casas ou pela regência.

A conjunção de Mercúrio e de Júpiter aumenta a habilidade profissional e está relacionada com as iniciativas felizes nos negócios. O julgamento sadio, o espírito mais tolerante e o sentido prático ampliado melhoram geralmente as relações com o meio traduzindo-se, amiúde, no aumento dos ganhos e na resolução amigável das questões delicadas.

A conjunção de Mercúrio e de Saturno parece diminuir a autoconfiança, leva à ansiedade e à hesitação. Essa conjunção é melhor com um Ascendente saturnino do que na hipótese de o ângulo oriental situar-se num signo mercuriano.

A conjunção de Mercúrio e de Urano é essencialmente a conjunção dos interesses novos, da orientação do pensamento numa direção imprevista e das iniciativas que levam o sujeito para fora da esfera em que vivia. Ligada, pela presença ou pela regência, à X Casa, é o índice de uma nova orientação profissional decidida rapidamente ou de uma mudança de atividade.

A conjunção de Mercúrio e de Netuno é sobretudo a conjunção da busca de uma quimera e de esperanças muito exageradas, já que enfraquece consideravelmente o senso prático. Contudo, ela pode ser boa para as viagens e para o trabalho mental imaginativo, nas III e X Casas, e marcar uma afeição platônica e decepcionante nos ângulos, assim como na II, VI e XII Casas.

A conjunção de Mercúrio e de Plutão favorece claramente tudo o que diz respeito a matemática, contabilidade, estudos e regulamentos, acertos financeiros de todas as espécies, assim como à criação pessoal. Dir-se-ia que essa configuração provoca a expansão das capacidades pessoais e, com freqüência, a expansão das possibilidades materiais no sentido indicado por seu lugar na Revolução Solar.

A conjunção de Vênus e de Marte perturba sempre a vida sentimental. Parece mesmo que essa conjunção é mais nociva que a oposição. Evidentemente, essa influência é ainda mais acentuada na I, III, V ou VIII Casas, mas age nesse sentido em qualquer parte do céu anual. Dir-se-ia que ela provoca uma onda de sensualidade que falseia o julgamento e que transforma a vida sexual num doloroso problema. Trata-se de uma configuração particularmente frequente nos anos de adultério, pois evoca, amiúde, a eventualidade de uma breve aventura passional, independentemente das amizades e das relações habituais; essa aventura pode ser uma causa de perturbações momentaneamente não negligenciáveis.

A conjunção de Vênus e de Júpiter é a imagem mais segura de êxito e de prosperidade nas Casas financeiras ou na X, e de felicidade nas Casas pessoais. Essa reunião de dois benéficos é uma promessa de sorte e de vida fácil; entre os trabalhadores, pressagia melhora da situação geral da existência e férias particularmente agradáveis. Não se deve acreditar que essa conjunção se produza em todos os destinos; lamentavelmente, muitos não contam com ela em suas vidas.

A conjunção de Vênus e de Saturno torna geralmente o sujeito insatisfeito em termos sentimentais e marca uma situação tensa que se eterniza. Essa conjunção é boa no signo de Libra e, em grau menor, na hipótese de o Ascendente situar-se num signo saturnino.

A conjunção de Vênus e de Urano representa o prenuncio mais seguro de um tumulto e de um transtorno na vida sentimental. A posição angular dessa configuração é particularmente perigosa, o mesmo ocorrendo na V Casa. Com certa freqüência, é o índice de um "amor à primeira vista". Na VII Casa, pressagia a ruptura ou, pelo menos, uma perturbação repentina e muito grave da vida conjugal.

A conjunção de Vênus e de Netuno depende principalmente da natureza do aspecto natal entre esses dois planetas: é excelente, caso tenha havido um sextil ou um trígono (por conseguinte, haverá as inspirações felizes, o refinamento, a sorte e o êxito sem esforços) e perigosamente nociva, caso tenha estado precedida pela quadratura ou pela oposição natal: a traição, a fraude, a desagregação da afeição ou da união, a depressão nervosa que pode chegar à loucura, à queda moral ou física etc.

A conjunção de Vênus e de Plutão é indício de uma aventura amorosa fora do comum ou de uma vida passional intensa. Essa configuração parece sobretudo aumentar o encanto pessoal, fator que facilita os êxitos. Frequentemente, é sinal de uma ligação que causa orgulho ou que é vantajosa.

A conjunção de Marte e de Júpiter é, antes de tudo, o indício de um grande esforço amplamente coroado de sucesso, de um deslumbramento, de uma façanha ou de um desempenho. Permite aos esportistas estabelecer recordes ou chegar em primeiro lugar. Para todos os outros, é o prenuncio de uma ação arriscada, audaciosa, frequentemente decisiva, sem que o sujeito, de modo geral, se dê conta do perigo por ela acarretado e de todas as consequências que pode ter. Trata-se da configuração da promoção entre os militares. Bem aspectada num ângulo, sobretudo na X Casa, ela marca sempre um grande êxito. Mal aspectada e mal situada, é o presságio de choques, conflitos, lutas encarniçadas e processos.

A conjunção de Marte e de Saturno é igualmente o indício de um grande esforço, longo e penoso, porém suportável. A sorte inerente à conjunção anterior não está presente aqui e somente o conjunto da Revolução Solar pode decidir se haverá êxito ou fracasso. Na VI e na XII Casas, será a reação do organismo para combater um mal. Se um desses dois planetas é o regente do Ascendente, esse esforço — às vezes inútil e improdutivo — será autoimposto pelo próprio nativo. Evidentemente, todos os tipos de aborrecimentos e dificuldades pertencem a essa conjunção de dois maléficos, mas o esforço físico, psicológico ou moral é sempre claramente observável. Por último, essa conjunção se refere, de modo geral, às extrações dentárias e às operações ósseas.

A oposição entre Marte e Saturno é tradicionalmente uma das piores configurações, prenuncia grandes preocupações, de acordo com a natureza das Casas e dos signos (perigo de ruptura de um casamento ou de uma associação, em Áries e Libra; aborrecimentos financeiros, em Touro e Escorpião; uma crise moral que não exclui absolutamente as dificuldades com o meio ambiente, em Gêmeos e Sagitário; o perigo do desmoronamento da situação e as preocupações familiares, em Câncer e Capricórnio; os aborrecimentos extrafamiliares e a separação de amigos, em Leão e Aquário; e uma crise de saúde ou no trabalho, em Virgem e Peixes).

A conjunção de Marte e de Urano prenuncia um acidente ou um acontecimento repentino e violento, seja provocado pelo sujeito (se um desses dois astros é regente do Ascendente ou se essa configuração se situa no Oriente), seja completamente independente de sua vontade, mas que se abate sobre ele como um furacão. Psicologicamente, é o prenuncio da impulsividade ampliada, das veleidades contraditórias e, muito frequentemente, de uma linha de conduta sem grande determinação.

A conjunção de Marte e de Netuno marca sobretudo os esforços inúteis e a energia desperdiçada. Essa configuração é frequentemente encontrada nos anos em que se persegue uma meta quimérica e inútil ou em que se realiza um trabalho que permanecerá inacabado. É também indício de complicações aborrecidas e repentinas com o meio ambiente e, se a meta buscada é de ordem coletiva, um processo deve ser seriamente temido. Entretanto, dessa conjunção é necessário sobretudo guardar o indício de um "golpe de espada na água" e o prenuncio da decepção que, em lugar dos resultados esperados (tidos como certos), se segue a esse golpe.

A conjunção de Marte e de Plutão leva ao aumento de trabalho e à expansão das possibilidades materiais, frequentemente bastante inesperada, de que decorre uma melhora de situação. O auxílio advindo de novos amigos parece ser característico dessa configuração (sobretudo nos temas femininos).

A conjunção de Júpiter e de Saturno estabiliza as questões indicadas pela Casa em que se situa e esse processo tem uma duração que supera os limites estreitos de uma Revolução Solar. Se um desses dois planetas é regente da X Casa natal ou anual, trata-se de indício da consolidação favorável da situação.

A conjunção de Júpiter e de Urano marca uma nova orientação num domínio qualquer (na maioria das vezes, nos negócios). Observemos que, para uma pessoa que já tenha essa conjunção no momento de seu nascimento, os seus retornos periódicos a cada quatorze anos imprimem grandes mudanças e acontecimentos de importância verdadeiramente fundamental; assim, esse círculo de mudanças aparece claramente no destino, mas, a cada vez, a natureza dessas mudanças é determinada pela Revolução Solar. Em todas as outras pessoas, a grandeza dos acontecimentos depende unicamente do lugar dessa conjunção no mapa anual, mas uma nova orientação, um novo impulso dado pelo concurso das circunstâncias influencia a vida não somente durante esse ano mas também no decorrer dos anos vindouros (tal como, por exemplo, uma mudança de residência que se efetue sob essa influência determina toda uma nova época da existência). Com muita freqüência, essa conjunção corresponde a uma melhora da existência gerada por novas invenções, como, por exemplo, a compra de um aparelho de televisão, que muda os hábitos para sempre.

A conjunção de Júpiter e de Netuno parece, sobretudo, indicar que a vida não se desenrolará da maneira que o sujeito espera e prevê. É sinal de desenvolvimentos inesperados - geralmente caóticos e independentes da vontade do nativo - nas coisas indicadas pela Casa. Bem aspectada, essa configuração promete um golpe de sorte, o qual será, não obstante, menos duradouro e menos feliz que aquilo que se pode logicamente esperar (por exemplo, um ganho na loteria gasto de modo muito rápido).

A conjunção de Júpiter e de Plutão aumenta o senso religioso e dá a convicção interior de superar as dificuldades presentes ou futuras, convicção esta que se revelará justa. Trata-se de uma configuração de elevação ou de restabelecimento.

As relações entre os planetas anuais e os planetas de natividade têm muita importância, mas o papel principal deveria, apesar de tudo, ser atribuído às configurações formadas pelos planetas da Revolução Solar. De todas as configurações possíveis entre os astros do aniversário e os planetas natais, as sobreposições (ou as conjunções) são, em função de seu efeito, as mais surpreendentes. O retorno de três planetas (e mais) a suas posições natais acentua a importância dos acontecimentos que terão lugar no decorrer do ano.

A sobreposição de um maléfico anual a um maléfico natal é sempre desfavorável. O próprio P. Christian diz, de acordo com Junctin de Florence, que a conjunção de Saturno anual com Marte natal prenuncia um mau ano, doenças, perseguições, perturbações, discórdia, querelas domésticas, acusações, inimizade de pessoas elevadas e poderosas e, caso se trate de um signo de Água, ameaça de afogamento. Mais adiante, no capítulo dedicado a Reflexões e Aforismos, reproduzimos a maior parte desses dados a propósito das significações das sobreposições planetárias. Notemos aqui que a sobreposição de Saturno maleficiado a um planeta natal suscita sempre provações morais ou físicas, cuja natureza pode ser deduzida dos significados combinados das Casas anuais e natais.

Em suma, as conjunções dos planetas anuais e natais agem de acordo com a natureza elementar dos planetas e de acordo com a sobreposição das Casas que ocupam. Se, por exemplo, Urano se sobrepõe a Vênus, é possível deduzir algumas perturbações na vida sentimental e perigo de problemas sexuais. Essa configuração será perigosa sobretudo nas III, V e VII Casas. Se ela se encontra na II Casa (anual ou natal), essas perturbações provocarão complicações financeiras. Na VI Casa, será indício de doenças nos órgãos íntimos. Na X, essa sobreposição leva a temer a repercussão de tais perturbações sobre a reputação ou a situação.

No entanto, as sobreposições do Ascendente e do Meio-do-Céu anuais a um planeta de natividade são aquelas que, por sua força, aparecem como predominantes - fato normal, já que constituem os principais fatores de uma Revolução Solar. Dessa forma, o Ascendente anual sobre a Lua natal corresponde sempre aos acontecimentos familiares ou advindos de uma mulher, aos deslocamentos, ou às mudanças de residência; o Ascendente sobre Netuno natal marca um ano mais ou menos caótico e é raro que o nativo possa reagir contra o desagradável encadeamento das circunstâncias; o Ascendente sobre Marte natal, caso seja regente da VI ou da XII Casa, prenuncia, num tema feminino, a cistite, a metrite ou uma doença semelhante etc.

Por último, observamos várias vezes que, quando numa Revolução, o regente de uma Casa radical se encontra em conjunção com o regente dessa mesma Casa anual (sobretudo no Ascendente natal ou anual), essa Casa diz respeito ao maior acontecimento do ano.

Citemos novamente o tema estabelecido no primeiro Capítulo. A única sobreposição que encontramos nessa Revolução Solar é a de Netuno anual (a 16° 36' de Virgem) a Júpiter natal (a 14° 11,5' do mesmo signo). Como este último se encontra na XI Casa, a das relações, estas últimas são perturbadas por essa conjunção. A IV Casa anual, onde se situa Netuno, indica uma das causas dessas perturbações: assuntos familiares que se opõem às relações normais com os amigos e conhecidos. Como a XI é a Casa das esperanças, essa sobreposição denota que as esperanças relativas à cura (simbolizada por Júpiter) de um dos parentes (IV) serão frustradas (Netuno). Tal coisa se relaciona também com a série de configurações que prenunciam a morte da mãe.

A significação particular dada a essa sobreposição pelas Casas não impede que ela aja também segundo a natureza desses dois planetas e, de qualquer modo, a sobreposição de Netuno a Júpiter provocará preocupações, dúvidas provenientes da diminuição do otimismo e do senso prático.

Ao estudar-se uma sobreposição, é prudente ver o lugar anual do planeta natal estimulado por essa sobreposição; muitas vezes, ele fornece a confirmação — ou traz um esclarecimento — ao acontecimento ou aos fatos revelados por essa configuração.

A mudança da força da influência de um planeta em relação a seu lugar no tema natal tem também uma grande influência. Se o regente da II Casa natal estava mal colocado na natividade e se encontra em seu próprio signo na Revolução Solar, trata-se já de uma boa indicação para os ganhos. A oposição de um planeta dignificado (por exemplo, de Marte em Áries) à sua posição natal fraca não parece constituir um mau presságio e, caso esteja bem aspectada, contraria as influências natais. Se o planeta que ocupava, na natividade, a VI Casa se encontra, na Revolução, em seu Domicílio ou exaltação, tal coisa tende a fortalecer a saúde, mas se ele passa nos signos de sua queda ou exílio, tende a desencadear predisposições mórbidas, indicadas por sua posição natal.

O retorno de um astro ao seu lugar de natividade acentua sua influência durante o ano que começa. P. Christian diz, no aforismo 569 da Histoire de la Magie, que: "Quando um planeta, em Revolução, entra novamente no signo que ocupava na natividade, retoma, segundo a natureza desse signo, a significação fatídica, boa ou má, que tinha nessa natividade, levando em consideração os novos aspectos que podem manifestar-se."

Essas observações parecem relacionar-se com uma lei geral segundo a qual os planetas da Revolução Solar corrigem ou agravam as indicações natais. Essa lei explica por que é frequentemente constatada a reconstituição parcial do tema natal durante os anos importantes. Por exemplo, a Revolução Solar da morte de Blavatsky contém a conjunção de Saturno e Mercúrio no mesmo lugar (a 3o de aproximação) do momento de seu nascimento, enquanto a conjunção natal desses dois planetas com Marte é substituída, na Revolução Solar, por uma quadratura.
Essa lei da ação do planeta do aniversário sobre sua influência fundamental explica por que os maus aspectos entre dois planetas poderosos num mapa anual perdem muito de sua nocividade, caso esses astros estejam em bom aspecto no tema natal.

No tema natal de Blavatsky, a conjunção de Marte e de Saturno na III Casa forma um verdadeiro ponto nevrálgico, que prenuncia lutas e desgostos de todo tipo, provenientes do meio ambiente, assim como polêmicas e críticas violentas; sua biografia mostra que, muitas vezes, essas dificuldades e esses aborrecimentos parecem insuperáveis. Na Revolução Solar do dia 11 de agosto de 1875, Marte ocupa novamente a III Casa, mas se encontra em sextil com Saturno: aquele ano tampouco esteve isento de lutas, mas esse bom aspecto corrigia os efeitos da conjunção natal e prometia para aquele ano o triunfo sobre todos os aborrecimentos e todas as acusações dos adversários.

Junctin de Florence afirma, em seu capítulo dedicado aos significados do retorno dos planetas da Revolução ao seu lugar natal, que a combinação de um planeta anual com o planeta de nascimento diz respeito ao acontecimento cuja causa é anterior ao aniversário, ao passo que as configurações da Revolução Solar sem relação com as do tema radical significam um acontecimento proveniente de uma causa futura. Essa observação é habitualmente verificada, mas deve ser esclarecida.

Alguns autores, e muito particularmente von Klockler, atribuem um papel predominante à repetição dos aspectos do céu natal no mapa anual. Sem negar o valor e a força dessa repetição, devo, contudo, alertar os leitores contra essa tendência exagerada que eu próprio segui durante vários anos. Uma Revolução Solar pode repetir dez bons aspectos do tema natal e nenhum mau; tal fato revela-se, na prática, visivelmente insuficiente para deduzir os bons acontecimentos. Vi tantos mapas anuais que só reproduziam maus aspectos e que correspondiam a êxitos extraordinários e vi tantas desgraças e mortes sob um céu anual pleno de boas repetições, que sou obrigado a identificar essas repetições quase que unicamente com os trânsitos (isto é, sou obrigado a só reconhecer sua influência durante o tempo em que existem no céu), bem como a relegá-las a um segundo ou mesmo a um terceiro plano no que diz respeito à sua ação sobre o conjunto do ano.

A retrogradação dos planetas no momento do aniversário significa, geralmente, não acontecimentos novos, mas um estado de coisas criado pelos acontecimentos anteriores à data da Revolução Solar. Tal como no tema natal, os efeitos desses planetas diminuem, contrariam e retardam as boas coisas anunciadas, caso, por um aspecto poderoso, eles atingem os significadores de acontecimentos futuros.

Nossa experiência pessoal permite dizer que um grande número de planetas retrógrados no momento do nascimento é um fator contrário à longevidade. Nos temas anuais, a retrogradação parece sobretudo fazer durar os obstáculos e as dificuldades que se opõem à realização dos desejos, ou à felicidade do nativo.

De qualquer maneira, é prudente subordinar sempre a interpretação da ação planetária às indicações fornecidas pelas Casas.