sexta-feira, 10 de junho de 2016

Os Trânsitos Planetários em Relação ao Tema da Revolução Solar, por Alexandre Volguini.

Os trânsitos planetários em relação ao tema da Revolução Solar são valiosos para determinar a data deste ou daquele acontecimento, bem como as fases de um caso. Mas, contrariamente ao emprego dos trânsitos em relação ao tema natal - no qual, de modo geral, só se utilizam os planetas superiores (Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão) -, a maior importância deveria ser atribuída ao Sol. Com efeito, ele aparece muitas vezes como o ponteiro de um relógio que indica o momento dos acontecimentos através de sua conjunção (ou outros aspectos importantes) com os fatores astrológicos da Revolução.

Assim, por exemplo, no momento da criação da Sociedade Teosófica, o Sol transitava em quadratura com a Lua, regente do Meio-do-Céu anual. A natureza desfavorável dessa quadratura é, nesse caso, corrigida pelo trígono dos luminares no momento do aniversário.

No momento da execução de Robespierre1 o Sol transitava em quadratura com o Ascendente da Revolução, enquanto a morte de Proudhon corresponde à passagem do Sol sobre o Ascendente anual.

Observemos que esse papel do Sol não aparece na Revolução Solar da morte de H. P. Blavatsky pois, no momento de seu falecimento, o Sol só forma uma quadratura com sua própria posição, estando também em quadratura com Júpiter natal (fator que, evidentemente, tem primazia).

Essa quadratura entre o Sol do dia e o Sol natal é encontrada muitas vezes no momento da morte, mas pertence ao mesmo tempo, ao número dos trânsitos clássicos e ao número dos trânsitos da Revolução. Ela está presente, por exemplo, no momento da morte de Gambetta, cujos temas consideramos desnecessário reproduzir aqui, já que todo estudante de astrologia possui Langage Astral, de P. Choisnard.

Uma verificação de vários anos permite dizer que é possível determinar de antemão a natureza boa ou ruim das datas de acordo com os aspectos formados pelo Sol em sua marcha com os planetas, com o Ascendente e com o Meio-do-Céu da Revolução. A oposição do Sol ao Ascendente anual provoca sempre, por exemplo, mal-estares e, se o Ascendente anual estava no signo solar de Leão ou em Áries (que é o lugar da exaltação do Sol), ou se o Sol ocupa, no tema anual, a VI ou a XII Casa, essa oposição ao Ascendente pode ser a causa de uma doença ou de dores bastante fortes (mesmo na mulher cujo Sol natal não estava hyleg).

Esses trânsitos são tão marcantes quanto os trânsitos normais em relação ao tema natal e explicam facilmente as lacunas deixadas por estes últimos. Tendo em vista a velocidade do Sol, o número dos trânsitos solares em relação aos planetas e aos ângulos da Revolução Solar supera frequentemente o número total dos trânsitos "clássicos" dos planetas superiores. Os meses "vazios" — muito comuns no sistema do Horóscopo Progredido e de trânsitos normais — não existem no sistema das Revoluções Solares, o qual revela ser, sob todos os pontos de vista, o sistema mais rico em deduções e indicações.

O trânsito do Sol na I Casa anual atribui quase sempre uma importância ampliada aos problemas e às preocupações pessoais (relacionando-se, evidentemente, com a natureza da Casa do horóscopo por ele governada, assim como com a natureza do signo zodiacal que se encontra sobre o Ascendente de aniversário). Na II Casa, enfatizam-se as preocupações pecuniárias e as finanças, ganhos ou rendas. Na III, as relações com o ambiente de convívio, as diligências, os deslocamentos ou os estudos (sobretudo nos temas de estudantes). Na IV, as questões familiares ou relativas à residência, à compra de imóveis. Na V, a vida afetiva, as distrações, as crianças ou ainda a criação pessoal, já que a tendência à expansão ganha maior relevo. Na VI, assumem preponderância o trabalho cotidiano ou os problemas referentes à saúde. Na VII, o trânsito solar enfatiza os assuntos sociais, as associações ou o domínio do casamento, da vida conjugai, representando geralmente a ampliação das reações defensivas. Na VIII Casa, essa passagem extingue parcialmente a vitalidade e as virtudes otimistas   e   ativas do Sol. Na IX, estimula a atividade intelectual e corresponde, com freqüência, seja às viagens, seja aos fatos relativos à justiça. O trânsito do Sol sobre o Meio-do-Céu anual incita geralmente à ação e age quase da mesma maneira que a passagem de Marte sobre o Meio-do-Céu do tema natal, isto é, aumentando a coragem e a energia; é raro essa passagem solar pela X Casa não corresponder a um fato importante em termos de negócios. Na XI Casa, marca habitualmente muita laboriosidade e animação, assim como muitos projetos e intenções a serem realizados a longo prazo (evidentemente, no sentido dado pela interpretação geral da Revolução Solar, por sua "tonalidade"). Na XII, mostra, na maioria das vezes, uma existência opaca, uma diminuição de vitalidade ou um aumento das preocupações.

Em certos casos, o efeito dos trânsitos solares parece expressar-se com mais força no início que no final do ano. Dir-se-ia que a forma dinâmica da Revolução Solar começa a desgastar-se durante o último trimestre do ano (como, por exemplo, os mapas das lunações que agem na astrologia mundial marcam mais fortemente os primeiros dias do mês lunar que os últimos), mas esse enfraquecimento do poder dos trânsitos solares deve ainda ser verificado, pois essa observação baseia-se num número excessivamente restrito de temas.

Os trânsitos de Mercúrio, Vênus e Marte são igualmente úteis, mas sua importância nunca supera a dos trânsitos solares. Contudo, muitas vezes o trânsito direto de Marte e Júpiter — caso esses planetas se tornem retrógrados após o aniversário, sobre sua própria posição — desencadeia acontecimentos importantes anunciados por esses planetas.

Entretanto, depois do Sol, é útil observar os trânsitos dos planetas rápidos, que marcam as boas e más épocas do ano segundo as Casas que governam no tema da Revolução. Desse modo, por exemplo, se a X Casa se encontra no signo de Libra, a época em que Vênus (que governa esse signo) transitar nessa Casa deverá ser considerada favorável à atividade do sujeito (exceção feita aos dias em que Vênus estiver em maus aspectos com os planetas anuais).

Outro exemplo: a XI Casa de uma Revolução Solar encontra-se no signo de Gêmeos. O consulente pede que lhe sejam indicadas as datas favoráveis para as diligências de negócios junto a amigos. Os dias durante os quais Mercúrio estará nos signos de Gêmeos e Virgem, assim como os dias em que formará bons aspectos com os astros do aniversário, devem ser considerados propícios a esse ponto de vista.

Além disso, muito frequentemente essas datas correspondem aos acontecimentos reais. Assim, em nosso exemplo (ver o mapa que estabelecemos no primeiro Capítulo deste estudo), a IX Casa (a casa das viagens) começa a 25° 26' de Capricórnio, ou seja, encontra-se sob a dominação de Saturno e Marte (exaltado nesse signo). Saturno é muito lento para que seus trânsitos sejam considerados e dever-se-ia dar preferência ao rápido Marte. Este último estava, no dia 6 de julho, em quadratura com Saturno e a viagem planejada pelo nativo para o início de julho foi retardada de acordo com a natureza desfavorável do aspecto e da natureza característica de Saturno. No dia 13 de julho, Marte encontrava-se em trígono com Mercúrio situado na IX Casa da Revolução e, no dia 22 do mesmo mês, chegava à conjunção com o Ascendente. A viagem teve realmente lugar por volta dessa época.

Outra viagem do sujeito ocorreu em outubro de 1936. Ora, no dia 8 de outubro, Marte passava em oposição a Saturno e a natureza desfavorável desse aspecto manifesta-se pelo fato de que a partida, inicialmente marcada para o dia 6 de outubro, foi retardada em função da necessidade de reparos no automóvel. O retorno do sujeito a Nice efetua-se nos dias 15 e 16 de outubro, quando Marte transitava em quincúncio com Mercúrio.

Como dissemos anteriormente, o principal acontecimento dessa Revolução Solar é a morte da mãe. Seu estado se agrava bruscamente no dia 24 de janeiro de 1936, quando Marte transitava sobre Saturno e o Sol estava em quadratura com Urano, regente do Meio-do-Céu (a 1,5° de aproximação). A morte era esperada de um dia para o outro, mas a ausência de progressões e de direções mortíferas contradiz o pessimismo dos médicos e a doente melhora a partir do início de fevereiro. Sua saúde debilita-se novamente por volta do final desse mês, sob a influência do quincúncio lunar com Marte progredido, mas ela só vem a expirar no dia 22 de maio, quando o Sol estava em quadratura com Marte, Mercúrio transitava em oposição a Vênus e a Júpiter, Marte encontrava-se em quadratura com Saturno e Urano formava sextil com este último planeta (como observamos no Capítulo anterior, o aspecto age frequentemente como ligação entre dois planetas e não segundo sua natureza benéfica ou maléfica).

Por conseguinte, nas Revoluções Solares, quase sempre são encontrados os trânsitos que correspondem aos acontecimentos, mas não se devem buscar os trânsitos dos planetas lentos e sim, pelo contrário, os dos planetas rápidos que se relacionam com as Casas às quais se vincula o acontecimento. Por último, algumas observações levam à suposição de que, as vezes, os trânsitos clássicos (isto é, dos planetas superiores em relação ao tema natal) são "coloridos" pelo lugar ocupado pelo planeta que transita no mapa da Revolução Solar — fato que pode explicar por que dois trânsitos idênticos quase nunca dão os mesmos resultados —, mas tal hipótese necessita ainda de longas observações antes de se poder formular uma regra qualquer.